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Full Throttle #22

O imediatismo das suas vontades, as urgências que lhes perpassavam o corpo, os desejos incontornáveis, não tinham tempo nem lugar. Os seus corpos violentados, sempre atacados pela fome de se saciarem, não escolhiam o quando e o onde, acabavam por sucumbir às necessidades sempre que o apelo era demasiado forte para sossegar. Alimentavam-se um do outro, sem olhar a convenções, sem olhar a circunstancialismos, sem olhar a comodismos. Surgia-lhes do nada, por vezes bastava tocarem-se, roçarem ombro com ombro, mão com mão, cruzarem um olhar mais pérfido ou lânguido, sentirem o cheiro da pele do outro a introduzir-se-lhes corpo dentro, ouvirem o timbre de voz que lhes despertava a libido, lembrarem instantes em que se entregaram um ao outro, observarem os movimentos ondulados do corpo que lhes deturpava a serenidade. E era com a urgência de se terem que se alheavam da realidade, que fugiam para o mundo deles fechando a porta por detrás de si e embrenhando-se um no outro, esquecendo tudo à sua volta, tornando o resto do mundo um mero espectador que em nada podia influir no desenrolar dos acontecimentos, estátuas imutáveis que se prostravam a observar a vida que lhes ocupava o corpo e se consubstanciava em entregas frenéticas de sexo, tesão, paixão. Eram um mundo, eram o mundo, uma viagem, a viagem.

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