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In motion

A verdade é que o corpo é um ditador. Impõe-nos as suas regras e os seus princípios, as suas ideologias e vontades. Cerceia-nos a liberdade, agrilhoa-nos os sentidos, determina-nos o futuro sem sequer nos perguntar. É egoísta, autocrático, embriagado pelo poder de nos manipular e consegue-o sem resistência, sem rebeliões, sem contestações. Somos súbditos das suas leis, que lança ao desbarato e entram em vigor consoante os seus caprichos e apetites, sem aviso prévio ou tempo de transição. Somos marionetas e peões dos seus ímpetos, das suas ordenações de libido, somos peças de xadrez no jogo da sua vontade, da sua auto satisfação, da sua masturbação de poder. Somos vassalos da sua luxúria, subjugados pelo prazer que a sua veneração nos confere, amantes da sua figura que enaltecemos em detrimento de qualquer outro líder porque sabemos que afinal de contas, somos meio para alcançar um fim. Mantemo-nos silenciosos, incapazes de o contrariar, de nos expressar contra os seus desígnios. Beijamos-lhe o anel, curvados perante o seu inegável monopólio de nós mesmos. E sucumbimos, à falta que o prazer nos faz, ao vazio deixado no espaço de outro corpo entregue a nós, à falta de um orgasmo, a recompensa pela nossa fidelidade. O corpo exige, não pede. O corpo manda, não questiona. O corpo impõe, não aguarda. O regime apertou-me o cerco, marcou-me traidora da pátria do prazer, exigiu-me que me saciasse, que lhe entregasse a dízima diária para continuar a usufruir das delícias do reino sob pena de abstinência forçada. Seja feita a sua vontade!

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